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CRO e mapa de calor

Análise heurística: avalie o seu site em cinco dimensões da conversão

O que são heurísticas, como a análise é feita e quais perguntas fazer à sua página em cada dimensão: motivação, proposta de valor, incentivo, fricção e incerteza.

· Designer de landing pages e fundadora da Fysi Lab Digital

· Atualizado em · 10 min de leitura

Capa do post: Análise heurística: avalie o seu site em cinco dimensões da conversão
Neste artigo
  1. O que é heurística?
  2. Como a análise heurística é feita?
  3. Motivação: a página entrega o que o visitante veio buscar?
  4. Proposta de valor: a oferta mostra o que tem de diferente?
  5. Incentivo: o próximo passo está claro e vale a pena agora?
  6. Fricção: o caminho até a conversão está livre?
  7. Incerteza: a página responde às dúvidas antes do clique?
  8. O que fazer com o resultado da análise
  9. Perguntas frequentes
  10. Otimização de conversão para o seu site, da hipótese ao teste A/B

Análise heurística é a avaliação de uma página feita por um especialista, com base nos atalhos mentais que as pessoas usam para decidir (as heurísticas). O objetivo é apontar o que impede, dificulta ou deixa de facilitar a conversão. A avaliação segue um roteiro de perguntas, organizado em cinco dimensões: motivação, proposta de valor, incentivo, fricção e incerteza.

Ela é uma das etapas da otimização da taxa de conversão (CRO), processo que parte de análises para definir o que precisa mudar em uma interface. Se o assunto é novo para você, veja os sinais de que a sua empresa precisa de CRO.

O que é heurística?

Heurística é um atalho mental: uma tática que a pessoa usa, quase sempre sem perceber, para decidir com pouco esforço. Na internet esses atalhos aparecem o tempo todo. Ler uma página inteira atrás de uma informação dá trabalho. Clicar no primeiro link que parece certo e voltar se estiver errado é mais rápido. Como o erro custa pouco na tela, as decisões saem em ritmo bem mais acelerado do que fora dela.

Sete atalhos mentais que aparecem na navegação

AtalhoComo aparece no site
Satisfação suficienteA pessoa fica com a primeira opção boa o bastante, mesmo que exista uma melhor. Na página, clica no primeiro item com chance de ser o que ela quer.
Aversão a perdasPerder dói mais do que ganhar agrada. O visitante foge do que parece negativo e evita tudo o que pode virar perda.
DisponibilidadeO que está à vista e é fácil de lembrar recebe mais importância.
Fadiga de decisãoDecidir gasta energia. Quanto mais escolhas a página exige, maior a chance de desistência.
Dependência da comparaçãoO valor de um item se define ao lado de outro. A pessoa precisa comparar para escolher.
Viés do status quoMudar pede um bom motivo. Para aceitar um upgrade de plano, por exemplo, a pessoa precisa enxergar a vantagem com clareza.
Lei de HickO tempo para decidir cresce com o número de opções. Muitas opções, decisão demorada.

Como a análise heurística é feita?

O profissional de otimização de conversão percorre a página com esses atalhos em mente e anota cada ponto que impede, dificulta ou deixa de facilitar a conversão. Para padronizar a avaliação, o comum é usar um framework: um modelo fixo de perguntas, respondidas uma a uma. O modelo reduz o peso das ideias preconcebidas de quem avalia, e a análise fica mais imparcial.

Uma forma comum de organizar a análise, baseada na chamada heurística da conversão, é em cinco dimensões. Três levam o visitante adiante (motivação, proposta de valor e incentivo) e duas seguram o passo (fricção e incerteza, também chamada de ansiedade). Cada dimensão se desdobra em várias perguntas, os fundamentos.

DimensãoPergunta do visitanteO que a análise verifica
MotivaçãoEu quero isso?Se a página entrega o que o visitante veio buscar
Proposta de valorEu quero isso de você?Se a oferta mostra o que tem de diferente
IncentivoPor que agora?Se existe um motivo claro para agir já
FricçãoQuais são os obstáculos?Se algo atrapalha o caminho
IncertezaConsigo alcançar meu objetivo?Se dúvidas e receios recebem resposta

As cinco entram na análise porque cobrem o caminho inteiro do visitante, da chegada à conversão. As seções abaixo trazem dois fundamentos de cada dimensão, com exemplos de sites conhecidos. As telas são da virada de 2020 para 2021 e os sites mudaram desde então. Os fundamentos continuam os mesmos.

Motivação: a página entrega o que o visitante veio buscar?

A dimensão da motivação verifica se a página corresponde ao que a pessoa esperava encontrar quando clicou. Quando a página falha aqui, o visitante sai logo depois de entrar, ou fica com pouca disposição para ler o resto.

Primeiro fundamento: a parte de cima da página atende à expectativa de quem acabou de chegar?

No Booking.com, quem pesquisava “hotel Rio de Janeiro” no Google caía em uma página com o nome da cidade em destaque e, logo abaixo, os campos de data e o botão para ver os preços. A primeira dobra (a parte visível assim que a página abre) respondia à busca inteira. A principal expectativa do visitante estava atendida antes de qualquer rolagem.

Página do Booking.com para o Rio de Janeiro: nome da cidade em destaque e caixa amarela com datas de entrada e saída e botão para ver preços

Segundo fundamento: título e subtítulo dão vontade de continuar a leitura e dizem o que a oferta tem de único?

Durante a pandemia, o Airbnb abria a página inicial com o título “Um mundo perto de você” e o convite para explorar acomodações próximas. O título vendia uma saída da rotina que cabia naquele momento, perto de casa e ao alcance do visitante.

Página inicial do Airbnb com o título Um mundo perto de você, o botão Explore acomodações perto de você e a ilustração de uma cabana na montanha

Proposta de valor: a oferta mostra o que tem de diferente?

Esta dimensão verifica se a página comunica com clareza a proposta de valor: o que o produto ou serviço tem de especial, aquilo que só ele oferece. Quando a página falha nisso, a pessoa tem dificuldade para entender os benefícios, deixa de ver valor na oferta e a recusa.

Primeiro fundamento: a página traduz as características do produto em benefícios, com texto, imagem ou vídeo?

A página inicial do Basecamp, ferramenta de gestão de projetos, mostrava uma tela da própria plataforma para destacar os benefícios de um jeito simples de entender. O visitante via o produto em uso e o que ganharia com ele.

Segundo fundamento: a página coloca a oferta ao lado de alternativas ou substitutos?

O valor de uma oferta se define pela comparação. Quem procura a comparação e fica sem ela na página vai buscá-la fora, no site do concorrente. A página de preços do Trello, outra ferramenta de gestão de projetos, resolvia isso com os três planos lado a lado, recurso por recurso.

Página de preços do Trello com tabela que compara, recurso por recurso, os planos Free, Business Class e Enterprise

Incentivo: o próximo passo está claro e vale a pena agora?

A dimensão do incentivo avalia o que a página oferece para o visitante agir, e agir já.

Primeiro fundamento: existe uma chamada para ação (CTA) atraente, que o visitante vê e entende na hora?

Quando a chamada falta ou se esconde, a pessoa fica ansiosa, confusa sobre o que fazer em seguida, e pode fechar a página. No cartão de produto da Telhanorte, e-commerce de produtos para a casa, o botão “Comprar agora” tinha cor de destaque, texto claro e levava direto à compra. A comparação entre os sites da Telhanorte e da MadeiraMadeira traz outros exemplos de análise heurística.

Cartão de produto da Telhanorte com avaliação em estrelas, cálculo de metragem, valor total e botão laranja Comprar agora

Segundo fundamento: a página diz o que o visitante ganha se agir agora?

Mostrar benefícios e indicar a ação resolve parte do trabalho. A outra parte é deixar claro o que a pessoa perde se adiar, e aqui entra a aversão a perdas. A página de produto da Amazon fazia isso com o prazo: a entrega mais rápida valia para quem pedisse dentro das horas e minutos indicados na tela. O tempo era finito e estava à vista. Se o estoque estivesse baixo, o aviso apareceria no mesmo lugar.

Detalhe de página de produto da Amazon: frete grátis, data de entrega, prazo em horas e minutos para pedir e receber mais rápido e aviso de produto em estoque

Fricção: o caminho até a conversão está livre?

A dimensão da fricção procura tudo o que dificulta o caminho do visitante até a conversão. Remover esses obstáculos é condição para a página dar resultado.

Primeiro fundamento: quem lê só por alto encontra as informações mais importantes?

Parte dos visitantes passa os olhos pela página e lê só os destaques. Se a mensagem principal depende do texto corrido, esse visitante desiste antes de ser convencido. A página da Uber para motoristas (uber.com/drive) apresentava os recursos de segurança do aplicativo em três blocos, cada um com ícone, título e uma frase curta.

Seção Conheça a Segurança 5 Estrelas, da Uber, com três blocos de ícone, título e frase curta: proteção 24 horas, suporte e seguro nas viagens

Segundo fundamento: a página evita distrações e mantém o foco na ação esperada?

A página inicial do iFood, serviço de entrega de comida, abria com uma ação única na primeira dobra: informar o endereço para ver os estabelecimentos disponíveis. Quando a página espalha a atenção por vários caminhos, o visitante deixa de perceber o que importa na oferta e vai embora sem agir.

Página inicial do iFood com o título Nunca foi tão fácil pedir lanche e um único campo para buscar endereço e número, ao lado do botão Buscar

Incerteza: a página responde às dúvidas antes do clique?

A última dimensão avalia a capacidade da página de eliminar as incertezas de quem está perto de converter.

Primeiro fundamento: a página apresenta provas sociais ou de autoridade?

Na página de produto da Evino, loja virtual especializada em vinhos, cada rótulo vinha com a opinião da sommelière da casa. A palavra de uma especialista é um argumento de autoridade e pesa na decisão. Uma página que dispensa esse tipo de prova pode deixar o visitante inseguro para concluir a compra.

Página de produto da Evino no celular com foto e opinião da sommelière da loja sobre o vinho, acima do botão Ver o preço

Segundo fundamento: perto do botão, há argumentos que reduzem a ansiedade sobre a conversão em si?

Quem está a um clique de converter e ainda tem uma objeção precisa da resposta ali mesmo. Na página inicial da Shopify, plataforma de comércio eletrônico, o texto logo abaixo do botão avisava que o teste gratuito dispensava os dados do cartão de crédito. É uma objeção comum de quem começa um período de avaliação.

Página inicial da Shopify: campo de e-mail, botão Começar a avaliação gratuita e, logo abaixo, o aviso de que o teste dispensa cartão de crédito

O que fazer com o resultado da análise

Cada ponto anotado vira uma hipótese de melhoria: o que mudar, em que página e por quê. Com a lista pronta, o passo seguinte é priorizar as hipóteses e definir quais entram primeiro. Os dez fundamentos acima são uma amostra. Um modelo completo tem mais perguntas em cada dimensão, e cada uma ajuda a encontrar o que trava a conversão na sua página.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre heurística e análise heurística?

Heurística é o atalho mental que a pessoa usa para decidir com pouco esforço, como clicar na primeira opção que parece boa. Análise heurística é o estudo de uma página com esses atalhos em mente, para apontar o que impede, dificulta ou deixa de facilitar a conversão.

Quais são as cinco dimensões da análise heurística?

Motivação, proposta de valor, incentivo, fricção e incerteza. As três primeiras avaliam o que leva o visitante à conversão: a expectativa atendida, o diferencial da oferta e o motivo para agir agora. As duas últimas avaliam o que segura o passo: os obstáculos do caminho e as dúvidas que ficam sem resposta.

Por que a análise heurística usa um modelo fixo de perguntas?

O modelo padroniza a avaliação. Quem analisa uma página carrega as próprias ideias preconcebidas, e um framework com as mesmas perguntas para todas as páginas reduz essa influência. O resultado é uma análise mais imparcial, que aponta com mais segurança o que precisa mudar na interface.

O que fazer depois da análise heurística?

Transforme cada ponto encontrado em uma hipótese de melhoria, com a mudança proposta e o motivo. Depois vem a priorização, que define quais hipóteses entram primeiro. A análise mostra onde a página pode estar perdendo conversões, e cada mudança no site passa a ter um porquê claro.

Otimização de conversão para o seu site, da hipótese ao teste A/B

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