Depoimento de paciente pode? O que dizem CFM, CFO e CFP, e como cuidar das avaliações no Google
A resposta muda de conselho para conselho. Veja o que vale para médicos, dentistas e psicólogos, o que a política do Google permite na hora de pedir avaliações e modelos de resposta que preservam o sigilo.
Karine Sackt · Designer de landing pages e fundadora da Fysi Lab Digital
· 9 min de leitura

Neste artigo
- Depoimento, elogio repostado e avaliação
- Médicos: elogio sóbrio e com frequência limitada
- Dentistas: o código veda identificar paciente para autopromoção
- Psicólogos: o sigilo vem primeiro
- Avaliações no Google: o que a política permite ao pedir
- Como pedir avaliação aos pacientes
- Como responder sem quebrar o sigilo
- Avaliações dentro do site
- Avaliações que chegam pelo caminho certo
- Perguntas frequentes
Depoimento de paciente pode, em parte, e a regra muda conforme o conselho. Médicos podem repostar elogios de pacientes com sobriedade e frequência limitada. Dentistas esbarram na vedação de identificar paciente para autopromoção. Psicólogos têm o sigilo como limite e contam com orientação de conselho regional que desaconselha depoimentos. Nas avaliações do Google, quem escreve é o paciente, e o cuidado do profissional está no pedido e, principalmente, na resposta.
As buscas mais comuns sobre o tema são diretas: “médico pode postar depoimento de paciente” e “psicólogo pode postar depoimento de paciente”. Este guia responde as duas, inclui a odontologia e termina com modelos de resposta para o Google.
Depoimento, elogio repostado e avaliação
As normas tratam de forma diferente três situações que costumam ser misturadas:
- Depoimento: texto, áudio ou vídeo do paciente que o profissional publica no próprio site ou perfil.
- Elogio repostado: o paciente publica no perfil dele, e o profissional compartilha.
- Avaliação: o paciente escreve no perfil do consultório no Google, sem passar pelo profissional.
Médicos: elogio sóbrio e com frequência limitada
A Resolução CFM 2.336/2023 trata do assunto em três pontos:
- o conteúdo de paciente compartilhado pelo médico nas redes próprias passa a ser publicação do médico (art. 8º, § 3º);
- autorretratos repostados de pacientes e depoimentos sobre a atuação do médico precisam ser sóbrios, sem adjetivos que indiquem superioridade ou promessa de resultado (art. 14, II, g);
- elogios de pacientes ou terceiros à técnica e ao resultado, mesmo sem repost do médico, devem ser investigados pela Codame quando forem reiterados ou sistemáticos (art. 8º, § 4º).
O Manual de Publicidade Médica do CFM dá o número: repostagem reiterada é a que acontece mais de duas vezes por semestre, e o compartilhamento reiterado pode configurar sensacionalismo e concorrência desleal. O mesmo manual diz que é saudável o paciente elogiar o atendimento nas redes dele.
Há ainda o Código de Ética Médica. O art. 75 veda exibir pacientes ou imagens que os tornem reconhecíveis em anúncios profissionais, mesmo com autorização. Um vídeo de depoimento gravado pelo consultório, com o rosto do paciente, para usar em anúncio, esbarra nesse artigo.
No site, uma seção fixa com dezenas de depoimentos dificilmente cabe no limite de duas repostagens por semestre. O caminho mais seguro é apontar para as avaliações do Google, que o paciente escreveu por conta própria.
Dentistas: o código veda identificar paciente para autopromoção
O Código de Ética Odontológica (Resolução CFO 118/2012) trata do tema sem usar a palavra “depoimento”. O art. 44, VI, considera infração divulgar nome, endereço ou qualquer elemento que identifique o paciente, salvo com consentimento livre e esclarecido do paciente, e mesmo assim nunca para autopromoção ou benefício do profissional. O art. 14, III, no capítulo do sigilo, veda exibir o paciente ou qualquer elemento que o identifique em qualquer meio de comunicação, com exceção da docência e da publicação científica.
A Resolução CFO 196/2019 abriu duas portas, ambas com termo de consentimento: a selfie do dentista com o paciente (art. 1º) e as imagens do diagnóstico e da conclusão do tratamento (art. 2º). O depoimento identificado, publicado pelo consultório para atrair pacientes, tem justamente o caráter de autopromoção que o art. 44, VI, exclui. A leitura prudente é deixá-lo fora e consultar o CRO do seu estado em caso de dúvida.
Psicólogos: o sigilo vem primeiro
O Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP 010/2005) traz três regras que se aplicam aqui:
- o dever de sigilo, para proteger a intimidade de quem é atendido (art. 9º);
- a vedação a apresentar resultados de serviços psicológicos em meios de comunicação de forma a expor pessoas (art. 2º, q);
- a vedação à previsão taxativa de resultados e à divulgação sensacionalista (art. 20, e e h).
A Resolução CFP 13/2022 reforça que a divulgação de psicoterapia precisa seguir o Código de Ética e as regras de sigilo da profissão (art. 5º).
A cartilha de publicidade profissional do CRP-MG (edição de 2026) trata do assunto pelo nome. Ela veda expor mensagens, depoimentos e qualquer material do atendimento que possa identificar a pessoa. Mesmo com identidade preservada ou autorização expressa, a cartilha desaconselha o uso, principalmente quando o foco é promover o profissional, e lembra que depoimentos ficam muito perto do sensacionalismo. Se ainda assim o psicólogo publicar, responde pelo conteúdo, e depoimento que exalte o profissional como o melhor do mercado conflita com o código. A cartilha é de um conselho regional; confirme a orientação com o seu CRP. “Feedback de paciente” no story segue a mesma lógica.
Avaliações no Google: o que a política permite ao pedir
A avaliação no Google é escrita pelo paciente, no perfil do consultório. A Política de conteúdo de avaliações do Google (consulta em 9/10/2026) permite pedir avaliações sinceras e proíbe:
- oferecer incentivos, como pagamento ou desconto, em troca de avaliação;
- pedir avaliação só a pacientes satisfeitos ou desencorajar avaliações negativas;
- avaliações com conflito de interesse, como as de funcionários, ex-funcionários e familiares;
- pedir à equipe que solicite avaliações com conteúdo específico ou em número determinado.
Para a saúde, vale um cuidado a mais. O pedido fica neutro, sem sugerir o que escrever. Pedir que o paciente elogie o resultado de um procedimento aproxima a avaliação do que o art. 8º, § 4º, da resolução do CFM manda investigar. Na psicologia, a própria avaliação pública revela que alguém fez terapia, e muitos profissionais preferem deixar a iniciativa com o paciente.
Como pedir avaliação aos pacientes
O pedido funciona melhor quando vem depois do atendimento, para todos os pacientes, pelo canal que o consultório já usa. O próprio perfil gera um link de avaliação. Um exemplo fictício de mensagem:
Olá! Aqui é a recepção do consultório da Dra. Ana Lima. Se quiser contar como foi o seu atendimento, sua opinião ajuda outras pessoas a conhecer o consultório. É só abrir o link: [link de avaliação]. Obrigada!
A mesma mensagem vai para todos os pacientes, e o texto da avaliação fica por conta de cada um. Esse é o desenho que a política do Google aceita. O passo a passo do perfil está em Google Meu Negócio para médicos.
Como responder sem quebrar o sigilo
A resposta é pública, e o sigilo vale nela. O art. 73 do Código de Ética Médica veda revelar fato conhecido no exercício da profissão, mesmo que o fato já seja público. O art. 14, I, do Código de Ética Odontológica e o art. 9º do Código de Ética do Psicólogo seguem a mesma direção. Na prática, a resposta:
- deixa de confirmar que a pessoa é ou foi paciente;
- deixa de citar diagnóstico, procedimento, data ou qualquer detalhe do atendimento;
- agradece, acolhe e, quando houver queixa, leva a conversa para um canal privado.
Modelo para avaliação positiva (exemplo fictício)
Obrigada pelas palavras e pelo tempo de escrever aqui. Ficamos felizes com o seu retorno. Equipe do consultório.
Modelo para avaliação negativa (exemplo fictício)
Lamentamos que a experiência tenha ficado abaixo do esperado. Queremos entender o que aconteceu. Por favor, fale com a coordenação pelo telefone (00) 0000-0000 ou pelo e-mail contato@exemplo.com.br.
Modelo para avaliação que parece falsa (exemplo fictício)
Levamos todos os comentários a sério. Para tratar de qualquer questão sobre atendimento, fale com a coordenação pelo telefone (00) 0000-0000.
A resposta à avaliação falsa evita dizer “você nunca foi nosso paciente”, porque isso também revela informação sobre quem é ou foi atendido. Se a avaliação viola a política do Google (conflito de interesse, conteúdo ofensivo, engajamento falso), o caminho é denunciá-la pelo próprio perfil. Oferecer vantagem para a pessoa apagar a avaliação negativa também é vedado pela política.
Avaliações dentro do site
Muitos sites exibem as avaliações do Google em um carrossel. Para médicos, o site é rede própria (art. 8º, § 1º), e trazer o conteúdo de paciente para dentro dele se parece com o repost do § 3º, com o limite do manual. Para dentistas e psicólogos, valem os cuidados do art. 44, VI, e da cartilha do CRP. A solução que preserva o profissional é um link discreto, como “ver avaliações no Google”, que leva ao perfil.
A prova que o site pode dar está em outro lugar: formação, registro no conselho, fotos do espaço e da equipe e a explicação clara de como é o atendimento. É assim nas páginas de site para dentista e de site para psicólogo. O uso de elogios no Instagram médico está em Instagram para médicos.
Avaliações que chegam pelo caminho certo
A Fysi monta o Perfil da Empresa no Google do consultório ou da clínica com o fluxo de pedido de avaliação dentro da política do Google, modelos de resposta revisados contra o código de ética de cada conselho e o link para a página certa do site. O atendimento é online, para todo o Brasil. Conheça o serviço de Perfil da Empresa no Google e conte qual é a sua área pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
Médico pode postar depoimento de paciente?
Pode repostar elogios de pacientes, que passam a contar como publicação dele (art. 8º, § 3º, da Resolução CFM 2.336/2023). O conteúdo precisa ser sóbrio, sem adjetivos de superioridade ou promessa (art. 14, II, g), e o manual do CFM limita o repost a duas vezes por semestre. Paciente reconhecível em anúncio profissional esbarra no art. 75 do Código de Ética Médica.
Psicólogo pode postar depoimento ou feedback de paciente?
O Código de Ética do Psicólogo coloca o sigilo como dever (art. 9º) e veda expor pessoas ao apresentar resultados (art. 2º, q). A cartilha do CRP-MG desaconselha depoimentos mesmo com autorização, porque ficam perto do sensacionalismo. A prova do site vem da formação, do CRP e da abordagem explicada.
Dentista pode postar depoimento de paciente?
O art. 44, VI, do Código de Ética Odontológica só admite identificar o paciente com consentimento e sem fim de autopromoção. Depoimento publicado para atrair pacientes tem esse fim. A Resolução CFO 196/2019 permite, com TCLE, a selfie com o paciente e as imagens de diagnóstico e conclusão.
Posso pedir avaliação no Google para os pacientes?
Pode. A política do Google permite pedir avaliações sinceras, desde que o pedido vá para todos, sem incentivo e sem sugerir o conteúdo. Na saúde, a mensagem fica neutra, sem pedir elogio ao resultado.
Posso dar desconto em troca de avaliação?
A política do Google proíbe oferecer pagamento, desconto ou qualquer incentivo em troca de avaliação, e as avaliações motivadas por incentivo são removidas.
Como responder uma avaliação negativa sem quebrar o sigilo?
Agradeça, lamente a experiência e convide a pessoa para um canal privado, sem confirmar que ela é paciente e sem citar detalhes do atendimento. O art. 73 do Código de Ética Médica veda revelar fato do atendimento mesmo quando ele já é público.















