Pular para o conteúdo

Marketing médico

Instagram para médicos: bio, conteúdo e o que a Resolução CFM 2.336/2023 permite

Pela regra do CFM, o Instagram é rede própria do médico e pode ser usado para atrair pacientes. Veja como montar a bio com CRM e RQE, o que postar, como usar selfie, stories e lives, e onde estão os limites.

· Designer de landing pages e fundadora da Fysi Lab Digital

· 10 min de leitura

Capa do post: Instagram para médicos: bio, conteúdo e o que a Resolução CFM 2.336/2023 permite
Neste artigo
  1. A bio: nome, CRM, RQE e a palavra MÉDICO
  2. O que postar: conteúdo que explica e convida para a consulta
  3. Selfie, bastidores e equipe
  4. Stories, reels e lives
  5. Publi e parceria com marcas
  6. Vídeo de procedimento e de cirurgia
  7. Antes e depois no feed
  8. Elogios, comentários e mensagens
  9. Valor da consulta e campanhas
  10. Impulsionar e anunciar
  11. Do perfil para a consulta marcada
  12. O link da bio que agenda
  13. Perguntas frequentes

O Instagram para médicos ganhou outro espaço com a Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde 11 de março de 2024. A norma inclui o Instagram entre as redes próprias do médico (art. 8º, § 1º) e permite usar essas redes para formar, manter e ampliar a clientela (§ 2º). Selfie, bastidores do consultório e valor da consulta estão liberados. Promessa de resultado, sensacionalismo e post isolado de antes e depois continuam fora.

Este guia vai da bio ao anúncio, com o artigo da resolução ou do Manual de Publicidade Médica do CFM em cada ponto.

A bio: nome, CRM, RQE e a palavra MÉDICO

O art. 6º manda colocar os dados do art. 4º na página principal do perfil. O manual traduz para o Instagram: a bio leva nome, a palavra MÉDICO ou MÉDICA, o número do CRM e, para quem divulga especialidade, o RQE. Com isso na bio, cada post dispensa o número. Um exemplo fictício:

Dr. Paulo Mendes | Médico | CRM-MG 00000 | Cardiologista | RQE 00000 | Consultório em Belo Horizonte e telemedicina | Agende pelo link

Alguns detalhes da bio:

  • Especialidade só com RQE. O médico com título pode divulgar até duas especialidades (art. 13, § 1º, f).
  • Pós-graduação sem RQE. Entra como “médico com pós-graduação em”, seguida de NÃO ESPECIALISTA em caixa alta (art. 13, § 1º, d e e). Exemplo fictício: “Médica com pós-graduação em nutrologia NÃO ESPECIALISTA”.
  • Mestrado e doutorado. A exposição de motivos da resolução permite citá-los, mesmo fora da especialidade, desde que cadastrados no CRM.
  • Nome de usuário e destaque. Superlativo como “o melhor cardiologista” esbarra na vedação à autopromoção (art. 11, XVI).
  • Link. Leva para a página do consultório ou da especialidade, onde o paciente encontra a consulta explicada e o botão de agendar.

Perfil pessoal e perfil profissional

O manual separa os dois casos. O médico que usa o perfil só para a vida pessoal, sem falar de medicina, dispensa a identificação. Quando o mesmo perfil mistura vida privada e assuntos da profissão, ele segue a regra do perfil profissional (art. 6º, § 3º). Na prática, quem quer usar o Instagram para o consultório costuma ganhar com um perfil profissional separado.

O que postar: conteúdo que explica e convida para a consulta

O art. 13, III, permite fazer publicidade nas redes próprias e também dar informações de caráter educativo. O art. 14, I, autoriza imagens para mostrar sinais e sintomas que pedem avaliação médica. O manual completa: o médico pode falar do trabalho, das emoções na relação com os pacientes e de exemplos da prática, sem identificar ninguém e com base na literatura médica. Ideias que cabem nesse espaço:

  • sinais que indicam a hora de procurar a especialidade;
  • como é a primeira consulta, o que levar e quanto tempo dura;
  • preparo para exames que o consultório faz;
  • um tratamento explicado com indicações, cuidados e limites;
  • comentário sobre um estudo novo, com a referência;
  • bastidores do consultório e da equipe (art. 9º, I);
  • um comentário sobre o prazer com o trabalho, sem identificar pacientes (art. 9º, XV).

Dois limites aparecem muito no Instagram. O primeiro é o tom alarmista: veicular informação que cause pânico ou medo entra na definição de sensacionalismo (art. 11, § 2º, e). Chamada como “esse sintoma pode ser grave e você está ignorando” passa desse ponto. O segundo é a consulta pelo direct. O art. 11, XI, veda oferecer consultoria que substitua a consulta, ressalvada a telemedicina regulamentada. A resposta na caixa de perguntas fica na informação geral e convida para a avaliação.

Selfie, bastidores e equipe

Selfie, imagens e áudios estão permitidos, desde que sem sensacionalismo e sem concorrência desleal (art. 8º, III). Foto do consultório, do médico trabalhando e da equipe também (art. 9º, I).

Com paciente, o cuidado é outro. O art. 75 do Código de Ética Médica veda exibir pacientes ou imagens que os tornem reconhecíveis em anúncios profissionais, mesmo com autorização. A foto com o paciente sorrindo no consultório, postada no perfil profissional, esbarra nesse artigo. O repost do story que o próprio paciente publicou é outra situação: ele passa a contar como publicação do médico (art. 8º, § 3º), precisa ser sóbrio (art. 14, II, g) e entra no limite do manual, que considera reiterado o repost feito mais de duas vezes por semestre.

Stories, reels e lives

Conteúdo temporário segue as mesmas regras do feed (art. 6º, § 1º). Reels também. A live tem dois cuidados próprios:

  • consulta ou procedimento ao vivo fica proibido, mesmo com autorização do paciente (art. 11, VIII);
  • a pergunta de um seguidor sobre o próprio caso recebe resposta geral, com o convite para a consulta (art. 11, XI).

Live no perfil de outra pessoa ou de uma marca entra na regra dos canais de terceiros (art. 10). Endereço e telefone do consultório ficam fora, e o médico declara qualquer conflito de interesse (§ 2º).

Publi e parceria com marcas

O Código de Ética Médica, no art. 115, veda participar de anúncios de empresas comerciais valendo-se da profissão. A Resolução 2.336 reforça: o médico fica proibido de participar de propaganda de medicamento, equipamento, alimento ou qualquer produto que induza à garantia de resultado (art. 11, IV) e de dar selo de qualidade a produtos (V). Quando o médico anuncia insumos que usa nos próprios procedimentos, o art. 9º, XVIII, pede que ele descreva características e propriedades sem citar marcas comerciais e fabricantes. Antes de aceitar uma parceria, vale consultar a Codame do seu CRM.

Vídeo de procedimento e de cirurgia

“Médico pode postar vídeo de cirurgia” é uma das buscas mais comuns sobre o tema. A resposta da norma é restritiva. O § 2º, d, do art. 11 trata como sensacionalismo apresentar em público técnica que deve ficar no ambiente médico, inclusive a execução de procedimentos clínicos ou cirúrgicos. O art. 14, II, b, veda demonstrar e ensinar essas técnicas. O manual diz que imagens obtidas durante procedimento são exceção, com caráter exclusivamente educativo, e que equipe externa de filmagem só entra em parto.

O que funciona no lugar: o médico explicando o procedimento para a câmera, uma ilustração das etapas, a sala preparada antes do atendimento e a recuperação contada em texto.

Antes e depois no feed

O antes e depois é permitido em formato educativo (art. 14). O manual, porém, diz com clareza que a postagem isolada de resultado no Instagram fica fora do formato da resolução. O caminho é o conjunto de imagens com indicações, evoluções satisfatórias e insatisfatórias e complicações possíveis, montado em vídeo, com tempo igual para cada imagem e no mínimo dois segundos por imagem, ou em uma página do site para a qual o post direciona. O passo a passo está em antes e depois na publicidade médica.

Elogios, comentários e mensagens

O manual considera saudável que pacientes elogiem o atendimento nas próprias redes. Para o médico, o repost conta como publicação dele (art. 8º, § 3º) e entra no limite de duas vezes por semestre. Elogios reiterados em perfis de terceiros, mesmo sem repost, podem ser investigados pela Codame (art. 8º, § 4º).

Nos comentários, a regra é a do sigilo. O art. 73 do Código de Ética Médica veda revelar fato conhecido no exercício da profissão. Agradecer está liberado. Confirmar que a pessoa é paciente ou comentar o caso dela expõe justamente o que o médico deve guardar. Modelos de resposta estão no guia depoimento de paciente pode?

Valor da consulta e campanhas

O valor da consulta e as formas de pagamento podem aparecer no Instagram (art. 9º, VI). Desconto em campanha promocional também (art. 9º, VIII), com três cuidados do manual e da resolução:

  • venda casada fica proibida, e a própria exposição de motivos cita “faça a consulta e ganhe o exame” como exemplo;
  • sorteio de consulta ou procedimento continua vedado;
  • os preços praticados nos três meses anteriores precisam ficar acessíveis para auditoria.

O valor de procedimento fica fora do post. O manual orienta não publicá-lo em anúncio, porque ele depende da avaliação.

Impulsionar e anunciar

Impulsionar post é comprar espaço, e isso é direito do médico (art. 13, II). As regras da peça seguem as mesmas. Os padrões de publicidade da Meta (consulta em 9/10/2026) somam uma regra: o anúncio fica proibido de afirmar ou sugerir a condição de saúde de quem vê. “Você sofre de enxaqueca?” presume a doença da pessoa. “Tratamento para enxaqueca com agendamento online” fala do serviço. O resumo das regras para site, rede e anúncio está em marketing médico: o que pode e o que não pode.

Do perfil para a consulta marcada

O Instagram desperta o interesse, e a decisão de marcar costuma acontecer fora dele. O link da bio precisa levar a uma página que responda o que o post deixou em aberto: quem é o médico, o que ele trata, convênios, valor da consulta se houver, endereço e o botão de agendar. Para quem está começando, uma landing page resolve esse papel em uma página só.

A Fysi cria a página que recebe quem vem do Instagram: texto conferido contra a Resolução CFM 2.336/2023, CRM e RQE no topo, WhatsApp com mensagem pronta e medição de cada clique. O atendimento é online, para médicos de todo o Brasil. Veja como funciona o site para médico e mande o @ do seu perfil pelo WhatsApp.

Perguntas frequentes

O que o médico pode postar no Instagram?

Conteúdo educativo, bastidores do consultório e da equipe, selfies sem sensacionalismo, forma de marcar consulta, convênios, valor da consulta e campanhas de desconto sem venda casada (arts. 8º e 9º da Resolução CFM 2.336/2023). Tudo com nome, CRM e RQE na bio.

Médico pode postar foto com paciente?

O art. 75 do Código de Ética Médica veda exibir paciente reconhecível em anúncio profissional, mesmo com autorização. O repost do conteúdo publicado pelo próprio paciente conta como publicação do médico, precisa ser sóbrio e, pelo manual, fica limitado a duas vezes por semestre.

Médico pode postar antes e depois no Instagram?

Só no formato educativo do art. 14: conjunto de imagens com indicações, evoluções satisfatórias e insatisfatórias e complicações, sem identificar o paciente. O manual diz que post isolado de resultado fica fora desse formato; o conjunto pode ir em vídeo ou em uma página do site.

Médico pode postar vídeo de cirurgia?

A resolução trata como sensacionalismo apresentar em público a execução de procedimentos clínicos ou cirúrgicos (art. 11, § 2º, d) e veda transmitir procedimentos ao vivo (art. 11, VIII). O manual admite imagens de procedimento só como exceção educativa.

Médico pode fazer publi para marcas?

O art. 115 do Código de Ética Médica veda participar de anúncios de empresas comerciais valendo-se da profissão, e a Resolução 2.336 veda propaganda de produtos que induza à garantia de resultado (art. 11, IV). Na dúvida, consulte a Codame do seu CRM antes de fechar.

Continue lendo

Ver todos os posts

Quero contratar

O que você precisa?